Estágios de disfunção diastólica em gatos
A classificação segue a mesma lógica do cão, mas com cortes próprios. O tempo de relaxamento isovolumétrico do gato é mais curto e a fronteira do padrão restritivo é mais baixa, o que muda os números de cada estágio.
Tabela de referência
| Estágio | Relação E/A | TRIV (ms) |
|---|---|---|
| Diástole normal | 1,12 ± 0,22 | 43 ± 9 |
| Relaxamento lento (1a) | menor que 1 | maior que 80 |
| Relaxamento lento com pressão alta (1b) | menor que 1 | maior que 80 |
| Pseudonormal (2) | em torno de 1 | 37 a 60 |
| Restritivo (3) | maior que 2 | menor que 37 |
Como medir
Fluxo transmitral em Doppler pulsado, tempo de relaxamento isovolumétrico, fluxo venoso pulmonar e Doppler tecidual do anel mitral. A frequência cardíaca alta do gato é o principal obstáculo, porque funde as ondas E e A.
Observações clínicas
- O que separa 1a de 1b é a relação E sobre E linha: abaixo de 10 no 1a, igual ou acima de 10 no 1b. No cão esse corte é 12.
- A fusão das ondas E e A em frequência alta é ainda mais frequente no gato do que no cão, e pode inviabilizar a classificação.
- O padrão restritivo em gato com cardiomiopatia hipertrófica é marcador de doença avançada e costuma acompanhar aumento importante do átrio esquerdo.
- Vale avaliar junto a função do átrio esquerdo e a velocidade no apêndice auricular, pelo risco de tromboembolismo.
Fonte
de Madron, Chetboul & Bussadori, 2016. Clinical Echocardiography of the Dog and Cat (Elsevier), sobre dados de Santilli & Bussadori, 1998 (Veterinary Journal 156:203-215), Chetboul et al., 2006 (American Journal of Veterinary Research 67:250-258) e Disatian et al., 2008 (Journal of Veterinary Internal Medicine 22:351-356). Valores sujeitos a validação clínica pelo médico-veterinário responsável.
A fonte acima respalda os valores da tabela. As seções “Como medir” e “Observações clínicas” são texto de apoio redigido pela equipe do VetReport a partir da prática consolidada em ecocardiografia veterinária, e não reproduzem o texto do trabalho citado.