Parâmetros diastólicos normais em gatos
Ao contrário do cão, o gato não tem uma tabela de referência diastólica por idade amplamente aceita. O que existe são coortes de animais saudáveis, e elas discordam entre si o bastante para que valha olhar as três lado a lado antes de dizer que um valor está alterado.
Tabela de referência
| Parâmetro | Disatian 2008 (87 gatos) | Chetboul 2006 (100 gatos) | Santilli 1998 (20 gatos) |
|---|---|---|---|
| Tempo de relaxamento isovolumétrico (ms) | 46,2 ± 7,6 | 43 ± 9 | 55,4 ± 13,2 |
| Onda E (m/s) | 0,70 ± 0,14 | 0,70 ± 0,10 | 0,67 ± 0,13 |
| Onda A (m/s) | 0,65 ± 0,14 | 0,50 ± 0,10 | 0,59 ± 0,14 |
| Relação E/A | 1,12 ± 0,22 | 1,50 ± 0,30 | 1,19 ± 0,30 |
| Tempo de desaceleração da onda E (ms) | não medido | não medido | 59,9 ± 14,1 |
| Onda E linha lateral (cm/s) | não medido | 5,5 ± 1,6 | não medido |
| Onda Sm do fluxo venoso pulmonar (m/s) | 0,48 ± 0,14 | não medido | 0,39 ± 0,12 |
| Onda Dm do fluxo venoso pulmonar (m/s) | 0,47 ± 0,10 | não medido | 0,44 ± 0,09 |
Como medir
Fluxo transmitral em Doppler pulsado na janela apical, com a amostra nas pontas dos folhetos mitrais. O tempo de relaxamento isovolumétrico é medido entre o fechamento aórtico e a abertura mitral. A onda E linha vem do Doppler tecidual do anel mitral, e a parede lateral e o septo dão valores diferentes.
Observações clínicas
- A discordância entre as coortes é o dado mais útil da tabela. A relação E/A média vai de 1,12 a 1,50 e o tempo de relaxamento de 43 a 55 ms conforme o trabalho. Um gato com E/A de 1,4 é normal numa referência e alto em outra, então o valor isolado decide pouco.
- A frequência cardíaca explica boa parte dessa diferença. O gato contido chega a frequências que encurtam a diástole, fundem as ondas E e A e mudam os tempos, e as coortes diferem em contenção, sedação e estado do animal.
- Os valores são médias com desvio-padrão de animais saudáveis, não intervalos de referência com percentis. Cerca de dois terços dos gatos normais caem dentro de uma média mais ou menos um desvio, o que é bem menos abrangente que um intervalo de 95%.
- A onda E linha foi medida apenas na parede lateral, e em uma das coortes. O valor septal é sistematicamente menor, então vale registrar qual foi medido.
- Para a interpretação por estágio, veja a página de estágios de disfunção diastólica em gatos.
Fonte
Disatian, Bright & Boon, 2008. Journal of Veterinary Internal Medicine 22:351-356, com 87 gatos saudáveis não sedados. Chetboul, Carlos Sampedrano, Tissier et al., 2006. American Journal of Veterinary Research 67:250-258, com 100 gatos saudáveis, em Doppler tecidual bidimensional. Santilli & Bussadori, 1998. Veterinary Journal 156:203-215, com 20 gatos saudáveis não anestesiados. Valores sujeitos a validação clínica pelo médico-veterinário responsável.
A fonte acima respalda os valores da tabela. As seções “Como medir” e “Observações clínicas” são texto de apoio redigido pela equipe do VetReport a partir da prática consolidada em ecocardiografia veterinária, e não reproduzem o texto do trabalho citado.